Uma visão de product management sobre product discovery

Sensorama Design
7 min readNov 29, 2022

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Realizar descobertas usando técnicas de design em produtos B2B envolve desafios: inclusive dentro do próprio time.

Por Andrei e Gabriela, do time da Sensorama Design

Como alinhar estratégia de produto com execução de design em um ambiente ágil sem abrir mão dos processos definidos pelo cliente?

Que a área de desenvolvimento de produtos digitais é uma das que mais cresce atualmente, alavancada pela pandemia, todo mundo já sabe. E junto disso, manter as boas práticas dentro de um prazo curto (e ao mesmo tempo estimulante) pode trazer uma série de desafios que precisam ser superados conforme vão aparecendo. E um desses desafios é saber quais as melhores técnicas a serem implementadas na rotina de um time assíncrono, descentralizado e remoto.

Segundo os princípios do manifesto ágil, precisamos trazer valor na entrega dos produtos o mais cedo possível e entender que os “indivíduos e interações são mais importantes que processos e ferramentas”.

Isso na teoria funciona muito bem. Dá até para fazer um quadro com esse tipo de frases e colocar na parede do escritório (ou do seu quartinho durante o “home office”) para não esquecer. Mas na prática: como garantir que o trabalho vai ser feito e que todos estão alinhados no mesmo objetivo?

Confiança é a chave

Garantir que cada membro do time está fazendo sua parte é uma das, senão a principal, chaves do sucesso em um time ágil de design. Não adianta nada você usar os melhores processos (daqueles mais atualizados dos cursinhos que você faz num final de semana e paga uma fortuna, sabe?), ter os melhores equipamentos (que saudades do meu MacBook) e ter todos os recursos de interação disponíveis… Se as pessoas não estão se entendendo.

Quando falamos de experiência do usuário, não se trata apenas de design, mas de pessoas. O melhor jeito de aplicar o design é com a própria equipe.

Voltando ao princípio ágil, então, o que significa indivíduos e interações? Bem, é a prática de que entre todas as demandas recebidas, todos os documentos analisados e de todas as pendências listadas, se saiba exatamente quem vai fazer o quê, como e quando!

A vantagem de uma equipe multidisciplinar está justamente em ter múltiplas visões de como solucionar os problemas e conflitos que possam aparecer. Em outras palavras, lidar com os impedimentos. E eles existem. E eles são muitos.

Mas então como fazer o bendito Discovery?

Se cada pessoa no time sabe seu papel, fica tudo mais fácil. O próximo passo é garantir que os prazos serão atendidos. Como qualquer envolvido no desenvolvimento de um produto digital, conhecer os deadlines (ahh, não… Vamos chamar de prazos mesmo!) é fundamental.

Algo que não pode acontecer em hipótese alguma é permitir o “deixa que eu deixo”. Isso jamais.

Alguém precisa ter o controle de prazos e afazeres e isso é responsabilidade de toda a equipe, mesmo que alguém assuma o papel de ser o “verificador diário de progresso de desenvolvimento”.

Isso não se trata de microgerenciamento e sim controle de produção. Esse conceito vem lá dos japoneses quando eles aplicaram o princípio lean, de onde a gestão ágil bebe conhecimento. Se você é designer, fazer isso de forma visual é quase uma obrigação. Kanban está aí pra facilitar a sua vida!

Do ponto de vista de organizacional

O Manifesto Ágil nos direciona para um estilo de desenvolvimento diferente do que era feito antigamente, trazendo mais flexibilidade a gestão de mudança e traz mais valor para o que é produzido. Isso sabemos. O que muitas pessoas esquecem é que o manifesto não diz que “algo não tem valor” e sim que talvez outras coisas sejam mais importantes em um determinado momento ou contexto.

Documentações e processos são essenciais para que seu produto ou serviço cresça de maneira saudável, que os processos se tornem parte da empresa e que todas as pessoas que trabalham se sintam pertencentes e empoderadas em relação ao resultado daquilo que fazem.

Quando há necessidade de novos produtos (features ou serviços), a gestão precisa ter conhecimento do todo do produto. E nada melhor do que ter tudo documentado e organizado. É muito importante que a alta gestão saiba o que está acontecendo nos seus times, como está a esteira do desenvolvimento para que possa se planejar para realizar um bom discovery, para ter um bom desenvolvimento e um ótimo produto. Confiança, transparência e comunicação são a base para uma boa liga entre o desejo de negócio e a possibilidade da tecnologia.

Um bom exemplo para que a gestão e o produto estejam conectados, é através de OKRs (Objective and Key Results). Resumidamente: a alta gestão define um desafio, um objetivo a ser alcançado por todos na companhia, e os times dizem o que cada um pode fazer para que esse objetivo em comum seja alcançado. Afinal, nada melhor do que as pessoas que lidam com o produto cotidianamente dizerem quais melhorias precisam ser feitas — sem top down.

Assim, o desejo de negócio ficará claro e transparente para todos, orientando os times ao que precisa ser feito, direcionando o discovery com as expectativas alinhadas.

Do ponto de vista ferramental

Descobrir o produto do cliente é uma tarefa aparentemente fácil, até você se deparar com um sistema online de alta complexidade operacional. Isso significa que se a pessoa que vai usar o produto em que você está trabalhando cometer um erro que vale milhões de reais, a responsabilidade do designer aumenta.

Nesse caso, realizar uma análise que garanta que os principais pontos da interface estejam sendo vistos faz com o que o que parece difícil se torne menos trabalhoso.

Do ponto de vista de pesquisa

Objetivos alinhados, acesso a ferramentas, demanda clara… Mas preciso falar com as pessoas usuárias? A resposta é SIM e caso você nunca tenha feito isso, acesse quem trabalha com atendimento agora para conversar sobre isso.

Saber o que a pessoa usuária está achando do seu produto, se ele está utilizando ou não, é primordial para o crescimento sadio dele. Ninguém quer uma coisa que ninguém usa. Há algumas métricas e sistemas que podem ser utilizados para medir a felicidade do consumidor, mas a gente aqui na Sensorama, adora ouvir o que o cliente tem a dizer. Ter ideias a partir de falas e relatos, uma boa entrevista, perguntando o que precisa ser perguntado, é ótimo para criar novas oportunidades para serem descobertas.

Além de tudo isso que falamos até aqui, ainda precisamos julgar o design. A boa e velha análise heurística

Que a análise heurística é uma excelente ferramenta de design, isso já está mais do que provado. Não é atoa que está sendo usado por diversos profissionais há mais de 30 anos. Mas não basta saber a lista com as 10 heurísticas do tio Nielsen sem relacionar isso com a estratégia do produto e com os resultados da pesquisa e necessidade dos usuários.

Além de todo o processo já conhecido (se ainda tiver dúvidas, leia aqui, em inglês), a priorização dos problemas mais graves juntamente das recomendações de melhorias podem gerar uma boa oportunidade de ganhos rápidos para o cliente. Ou seja, resolver o problema da melhor forma possível com o menor esforço possível e assim trazer o valor tão esperado que seu cliente deseja.

Exemplo de tabulação de Análise Heurística

Apresentar isso de forma estática e explicativa talvez já esteja sendo esperado. Uma forma de trazer inovação na entrega é agregar novas ferramentas que facilitem o trabalho do cliente. Para isso, todos os resultados tabulares da análise podem ser inseridos no Google Data Studio e a facilidade de interação ajuda a impactar a entrega, gerando assim valor para o cliente.

Dessa forma, quem acessa o dashboard consegue fazer os filtros dos problemas mais graves, selecionar a heurística, saber qual princípio foi violado e a quantidade de problemas que foram levantados.

Dashboard com visão de análise de gravidade

O que aprendemos

Independente do método ou técnica de design utilizada, o importante é saber quando utilizá-la e principalmente o porquê você está fazendo isso. Tudo precisa de um propósito e envolver a equipe no processo é um fator chave para garantir que o trabalho será feito.

Um dos maiores desafios em um novo formato de trabalho remoto com todas as suas dificuldades, sem dúvida, é a comunicação. Primeiro com sua própria equipe, segundo com seu cliente. Uma vez alinhados esses pontos, é a vez de trazer a pessoa usuária (que é a cliente do seu cliente) para o jogo.

Alinhar expectativas e restrições se tornam essenciais para uma comunicação segura. Um time que trabalha de forma honesta e comunicativa, não quer guerra com ninguém, muito menos com o seu cliente.

Fazer pesquisa desconexa ou realizar uma análise que não aporta valor, não faz o menor sentido. E se o design é projeto, que os processos projetuais sejam feitos direcionados para as pessoas, em todos os sentidos.

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